Comunidades pacificadas se preparam para a Rio+20

As seis comunidades pacificadas que vão participar das atividades paralelas à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20,  já se preparam para mostrar que o tema sustentabilidade faz parte do cotidiano de muita gente que vive nestas áreas. Uma comissão - formada por moradores, integrantes de ONGs e o poder público - definiu uma programação extensa que inclui fóruns de discussão, apresentações culturais, feiras e oficinas sustentáveis. As atividades, abertas ao público em geral, integram a programação oficial da Rio+20, que acontece no mês de junho, do dia 13 a 22.  À frente da organização da agenda especial estão as secretarias de Assistência Social e Casa Civil.

No dia 18 de junho, a Chácara do Céu recebe o roteiro intitulado Arrastão Cultural que proporcionará a moradores e visitantes a oportunidade de conhecer o Parque do Penhasco Dois Irmãos. O local, reflorestado pelos próprios moradores, é reserva de Mata Atlântica.

Para um dos guias participantes e morador da Chácara do Céu, João Marcos Batista, 38 anos, o momento é importante para conscientizar a população.

- Esta área era um local habitado pelos índios tamoios, já foi uma fazenda e reduto quilombola. É lugar carregado de história e muita gente não sabe. Sou nascido e criado aqui. A pacificação foi muito esperada e agora podemos mostrar todos os nossos trabalhos ligados à preservação da natureza –  disse Batista.

 Mobilização transformou lixão em área de lazer

Outro destaque do roteiro da Rio+20 é uma visita ao Vidigal onde será possível conhecer a área de lazer, conhecida como Sitiê,   que foi construída após mobilização popular num espaço que já foi um lixão.  Além das inúmeras árvores frutíferas e  vista espetacular, os visitantes têm acesso a livros e podem conferir ainda mesas feitas com rodas de bicicleta e bancos de garrafa pet, além de uma escada construída com pneus descartados no lixo.

Segundo um de seus fundadores, Manoel Silvestre de Jesus, após a retirada dos entulhos foi iniciada a recuperação de encostas e o reflorestamento do local, com mudas doadas pelo Jardim Botânico. O Sitiê se mantém através da ajuda do comércio local, como supermercados e restaurantes, que disponibilizam o seu lixo orgânico para produção de adubo. Uma palestra sobre lixo urbano e reflorestamento será realizada no local  às 15h, no dia 18 de junho.

- Há sete anos eu e mais dois colegas nos interessamos por preservar esta parte do Vidigal. A Rio+ 20 será excelente  para que venham avaliar o trabalho na comunidade – disse Manoel.

Desfile sustentável e fórum de discussão

As comunidades do Chapéu Mangueira e Babilônia vão abrigar desfile com roupas e acessórios sustentáveis criados por moradores da comunidade e leilão de duas peças feitas em tecido de garrafa pet entre os dias 14 e 15 de junho. A programação inclui ainda debates sobre o futuro do planeta, e oficinas de reaproveitamento de alimentos.

Morador do morro da Babilônia, o jornalista e presidente da ONG Núcleo Ica - Informação, Conhecimento e Atitude, Álvaro Maciel Júnior, espera que o bate-papo Favela provoque a reflexão da juventude.

 - Serão dois encontros de debates. Contaremos com a participação de jovens de outras regiões pacificadas, da Baixada e de estrangeiros. Queremos qualificar o encontro para que não seja apenas um favela tour. Nossa intenção é estarmos inseridos nas discussões – disse Álvaro.

Para o estilista Cosme César dos Santos, de 43 anos, um dos representantes da comunidade no desfile sustentável, os moradores precisam ter mais consciência sobre preservação ambiental.

-  Trabalho com 30 jovens daqui que são meus modelos nos desfiles. O mundo precisa ser sustentável, está na hora de refletirmos – afirmou Cosme.  

Além destas atividades, o evento no Chapéu Mangueira/ Babilônia também terá teatro Clown, quadrilha caipira, palco livre, samba de roda, caminhada ecológica, entre outras.

 

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